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Vitor Guglinski, Advogado
Vitor Guglinski
Comentário · há 9 dias
Ricardo, não sei se se trata de uma utopia. Quando penso em utopia, sempre me lembro das palavras do grande jurista capixaba João Baptista Herkenhoff:

“Deve-se distinguir, de início, o mito, da utopia, a imaginação intencional, da fantasia solta.

O mito é um sucedâneo da realidade, que consola o homem daquilo que ela não tem: seu objetivo é esconder a verdade das coisas, á alienar o homem. A utopia, pelo contrário, é a representação daquilo que não existe ainda, mas que poderá existir se o homem lutar para sua concretização.

O mito nasce da fantasia descomprometida, com a única finalidade de compensar uma insatisfação vaga, inconsciente.

A utopia fundamenta-se na imaginação orientada e organizada. É a consciência antecipadora do amanhã.

O mito ilude o homem e retarda a história. A utopia alimenta o projeto de luta e faz a história.

Vejo o pensamento utópico como o grande motor das revoluções.” (Direito e Utopia. São Paulo: Editora Acadêmica, 1990.)

Há muitos magistrados, promotores, advogados, defensores públicos etc. sérios. Aliás, são a maioria, pra falar a verdade. E talvez sejam sérios em seus trabalhos porque enxergam o verdadeiro sentido da utopia.

De modo semelhante, o saudoso Eduardo Galeano escreveu:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Quem milita ou deseja ser um profissional da área jurídica deve acreditar na Justiça. E se ela for ruim, lutar pra que seja melhor, e não simplesmente se conformar com o ruim e achar que tudo está perdido.
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Vitor Guglinski

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